Ensino Bilíngue: O que eu preciso saber antes de matricular meus filhos.

Fonte: Agência Brasil

Passei a semana longe daqui. Estou cursando um MBA, na verdade, cursei. Só que durante a gravidez de Sofia fui obrigada a trancar 2 módulos com medo de ela nascer no meio da aula e só pude cumprir a disciplina esta semana. Imaginem a correria??? Trabalho, crianças, aula, casa….affeee que semaninha difícil. Thanks God it’s over-)

Mas como o assunto da minha semana foi educação, e por trabalhar no ramo editorial e visitar MUITAS MUITAS escolas achei por bem hoje tratar um tema que talvez ajude a esclarecer algumas dúvidas de pais que terão querem matricular seus filhos numa escola e se perdem no apelo marqueteiro educacional de algumas delas.

Aqui em Recife finalmente chegou o modismo do bilíngue. Tem um mói de escolas que vão oferecer essa nova modalidade para 2013. Se você, assim como eu, acha que seu filho aprender uma segunda língua ainda pequenino é um ótimo negócio e ainda salva uma grana dos anos que ele passaria no curso de inglês depois, deve ter se sentido tentado a matriculá-lo em uma dessas. Infelizmente, muitas se utilizarão do nome bilíngue para aumentar a mensalidade e mudar a propaganda, mas no fundo no fundo, muito pouca coisa irá mudar. Outras realmente farão ou já trabalham com um ensino bilíngue de forma satisfatória. Em razão disso (e por não poder citar nomes, claro), achei que a minha melhor contribuição seria informar exatamente o que é o ensino biligue e seus objetivos em 5 pontos simples. O assunto não se esgota aqui. É apenas uma introdução para aqueles que tiverem real interesse usarem de ponto de partida até chegarem às suas próprias conclusões. Posso falar???  Então, simbora. Have a seat:)

1-      Bilinguismo não é o aumento de carga-horária da aula de inglês.  Algumas escolas tinham 1 aula por semana para crianças a partir de 2 anos e decidiram que agora eles terão 2 ou 3 aulas por semana ou aula todo dia, ou ainda, aula de ingles em turno complementar. Isso não faz um projeto Bilíngue. Isso faz uma aceleração de aprendizagem do idioma. Assim como eu ou você poderemos aprender a tocar um instrumento mais rápido se ensaiarmos todos os dias ao invés de 1 vez por semana. Esse é o bilinguismo só “para inglês ver”.

2-      O inglês deve ser utilizado nas rotinas escolares, ou seja, aula de culinária em inglês. Ballet em inglês. Educação física em inglês. Ou ainda o professor pode, em qualquer momento de qualquer matéria que esteja sendo abordada, continuar o assunto em inglês (geografia, matemática, história, etc). A escola bilíngue faz uso dos dois idiomas regularmente e simultaneamente e por isso seus profissionais precisam ser muito bem qualificados.

3-      Escolas Bilíngues não são escolas estrangeiras. As estrangeiras seguem o ano letivo do país de origem e o português é a segunda língua. Isso acontece para garantir que pessoas que venham transferidas ou funcionários públicos não tenham dificuldade de matricular seus filhos no novo país. Nessas o foco é o inglês inclusive durante a alfabetização. O solo dela é estrangeiro, ou seja, juram a bandeira do país que atendem e são governados por suas leis. Já as escolas bilíngues apresentam o mundo ao aluno, o respeito à diversidade cultural, mas deixa claro que o seu país é o Brasil, portanto, o português é a sua língua-mãe. O inglês apenas abre outras portas.

4-      Professores devem ser pedagogos ou licenciados em letras com fluência em inglês.  Seja porque moraram fora, porque são nativos ou porque estudaram muito para aprender outro idioma. O que importa é que o foco da escola não é apenas o ensino do inglês. Mas a educação como um todo.  Por mais que um biólogo seja fluente ele não está tecnicamente preparado para dar aulas de matemática a uma criança de 2 anos. Questione o currículo dos professores e o seu nível de fluência.

5-      A aprendizagem do português nunca deve ser prejudicada pela educação bilíngue. Acompanhe a aprendizagem do seu filho. È normal que em alguns momentos ele até misture palavras dos dois idiomas numa frase, mas o que importa é que você consiga ver a produção real em ambos os idiomas. Ele deverá ser capaz de escrever, falar, ouvir e  produzir textos em inglês e português. Não apenas em um deles.

 

Vale ainda ressaltar algumas dicas para os que ainda estão peregrinando atrás de escolas, bilíngues ou não.  Por mais que o discurso dos diretores/coordenadores pedagógicos seja lindo, visite a escola em horário de funcionamento. Vá até as salas. Faça perguntas se perceber que algo está errado. E mais do que isso, confie no seu sexto sentido. Tem coisas que não conseguimos explicar, por mais que o discurso seja coerente, se não “bateu” com os seus sentimentos, procure outra.

No mais, boa sorte. É uma escolha bem difícil.