Valores Que Só Você Pode Ensinar Aos Seus Filhos.

Os que acompanham A Família Aumentou já sabem que eu trabalho com educação, não mais como professora, mas continuo envolvida dos pés à cabeça (mais cabeça que pés) no processo educacional. E vale ressaltar que isso é realmente um processo: a escola faz uma parte, a família faz outra.

Bom…ao menos deveria ser assim porque a cada ano que passa eu só tenho acompanhado a responsabilidade da escola aumentar nessa preparação para a vida. Muitos pais transferiram essa responsabilidade para ela e quando alguma coisa sai errada, a culpa, obviamente, não é da escolha da família, que terceirizou o “serviço”  e sim da escola que não correspondeu ao dinheiro recebido.

Essa constatação (horrenda) já renderia um post exclusivo. Eu fico pensando como foi difícil pra meus pais  nos educarem, e minha mãe não trabalhava fora de casa, o que faria você pensar: Ah! se eu não tivesse de trabalhar fora também seria mais fácil. Puro engano! Quantos amigos meus se “perderam” mesmo tendo tido ótimos pais e mães que não trabalhavam fora. Essa relação não está tão matemáticamente comprovada como parece. Não é porque a mãe ou o pai ficam em casa que ensinam o filho mais ou memos, ao contrário, às vezes pode até ensinar errado o valor do trabalho e que outra pessoa vai fazer o trabalho que você deveria estar fazendo.

Eliminada esta possível constatação, outra pode ser feita de forma mais óbvia: Se mesmo se esforçando, ensinando o certo e errado, educando, fazendo parceria com a escola ainda pode sair alguma coisa errada no processo de formar um ser independente, um adulto responsável, com características humanas (tenho encontrados muitos “humanos” com características apenas animalescas), como será a geração dos meus filhos na versão adulta se alguns pais não tem sequer se esforçado para tanto?  Ensinando através de atitudes que o dinheiro compra tudo. Crianças crescendo de forma desajustada, jogadas em algumas escolas-depósito (porque algumas são mesmo) só pra que os pais possam trabalhar e ganhar dinheiro (pra garantir o presente caro do natal e as férias na Disney). E algumas vezes, nem é dinheiro pra sobreviver, porque o dinheiro gasto na escola já é quase o salário todo?

Fiquei eu e meus botões pensando e posso dizer que existem alguns valores que a escola pode sim transferir para o seu filho caso você não o faça: cidadania, respeito aos diferentes, não-discriminação, são alguns deles. Mas outros valores só você vai ensinar, e aqui entra a sua responsabilidade verdadeira: tenha  a certeza que se você não o fizer, ninguém, absolutamente ninguém, poderá fazer no seu lugar.

 

1- Auto-estima – Quantos adultos com capacidade de “mudar o mundo” você conhece mas que eles mesmos acham que não conseguem fazer nada? Meça as suas críticas ao seu filho. Quando ele tiver um comportamento ruim, critique o comportamento, não ele. Mostre que ele pode fazer, que ele tem inteligência e, se ele não conseguir, pode tentar de novo (assim como no vídeo-game, até passar de fase).

2- Comunicação– Meu filho tem dificuldade para isso. Tentamos muito que ele diga o que sente, explique o que está passando  na cabeça dele. Muitas vezes é uma coisa simples de explicar, algumas vezes não.  O que importa é que ele tem que praticar essa explicação, a transferência de pensamentos e sentimetos para palavras. Isso será útil de agora para explicar ao professor da escola o que ele não está entendo ou porque não concorda com alguma coisa, ao relacionamento com futuras namoradas e  esposa e, mais ainda, no mercado de trabalho. Ser capaz de explicar seus sentimentos e pensamentos poderá salvar muitas consultas no gastro (e haverá muito menos gastrites por stress).

3- Responsabilidade-  Não existe mágica aqui. Limites têm que ser dados e você pode ajudá-lo apenas dando uma rotina para ser seguida. A hora do jogo, a hora da tarefa, a hora de arrumar os brinquedos e, quando algumas vezes acontecer de ele não querer fazer uma coisa, não faça por ele. Dar limites significa eleger prioridades, fazer o que tem que ser feito na hora que tem que ser feito. Se procrastinar for uma opção, será um opção pra vida também. (Exemplos de quadro de responsabilidade aqui)

4- Fazer Escolhas – Decidir para que  lado seguir, pesando os prós e os contras é algo que precisa ser trabalhado a todo instante. Então, convide seu filho a tomar algumas decisões familiares com você. Mas mostre pra ele as vantagens e desvantagens de cada uma das escolhas e que, depois de escolhido, não é possível voltar atrás (ao menos na maioria das vezes não é mesmo).

5- Iniciativa – A criatividade deles pode ser muito bem trabalhada se você valorizar as soluções criativas que o seu filho dá para pequenos problemas. Se um brinquedo cai embaixo de um móvel e ele vai buscar a vassoura e pega sozinho, dê os parabéns. Ele não precisou te chamar,  não é o máximo?

6- Honestidade- Esse é o tipo de valor que não adianta falar, contar, ensinar. É preciso viver. Viver de verdade, incorporar. Diga a verdade, sempre. Mostre pra ele que falar a verdade, fazer o que é certo, nem sempre é o mais fácil ou o mais legal, mas é o que tem que ser feito. Se você ensinar que o Jeitinho Brasileiro de ser não é legal e que ” o mundo dos mais espertos” não é assim tão bom para se viver, ele vai seguir seu exemplo. E exemplo, é tudo para uma criança.

7 – Jogo de cintura – A capacidade de adaptação aliada à criatividade faz com que utilizemos nosso jogo de cintura. Nada pode ser tão rígido que não possa ser mudado. Imprevistos acontecem, você precisa estar pronto para lidar com eles, usar criatividade para resolver os problemas, e isso tem que ser trabalhado da infância para não criarmos adultos com toques perfeccionitas que quando uma coisa sai errada passam a ter “surtos”.

8- Maturidade – Aqui é a velha e boa junção de tudo. É o peso entre responsabilidade e disciplina. É a diferença entre querer e precisar. E neste mundo que se compensa a ausência com presentes, a melhor maneira é mostrar que não se pode ter tudo e que muitas vezes ao escolhermos uma coisa estamos deixando outra de lado, que é necessário cumprir os “combinados” e que é conversando que a gente se entende na vida

Espero que você esteja tentando marcar a geração do seu filho através dele, assim como eu. Vamos errar, vamos acertar. O que importa é que continuemos tentando.

Bom (incansável) trabalho!