EU ERA UMA ÓTIMA MÃE ATÉ TER FILHOS.

Esse é o título de um livro que eu comprei quando ganhei João Miguel. Primeiro porque o título me chamou a atenção e,  já por ele, eu percebia a realidade do meu sentimento diante da maternidade. Sim! É um livro, digamos, água com açúcar. Deixei meu preconceito de lado e li. Resultado da leitura: 80% de identificação. Conclusão da leitura: Não importa em que lugar do mundo você está (o livro é escrito nos EUA), mãe é mãe…vaca é vaca. As pressões da maternidade são as mesmas. As cobranças são as mesmas. 

Uma amiga muito próxima casou-se com um europeu. Se mudou para a Alemanha. Tem duas meninas lindas. E abandonou a carreira em nome de poder criar as filhas. Em uma conversa no whatsapp ela desabafou: “Adoro cuidar das minhas filhas, mas as vezes elas me enlouquecem. Uma quer entrar na geladeira. A mais velha agora resolveu entrar no quarto da mais nova gritando pra ela acordar. Meu marido viaja a trabalho e passa meses fora. Eu não tenho família por perto. E o trabalho de mãe nunca é reconhecido porque nunca acaba”.  Este é um tipo de mãe. Mãe 24h. Escolhido conscientemente. E que sofre pressões do tipo: Se eu abandonei minha carreira em nome da maternidade, eu tenho que ser uma ótima mãe e minha vida será inteiramente preenchida pelos meus filhos, certo?!

Eu escolhi não abandonar a carreira. Minhas duas gravidezes (é feio mas tá correto) foram programadas e planejadas. Queria ter meus dois filhos antes dos 30 pra poder retomar a carreira e ainda ter pique pra lidar com as crianças. Viajo a trabalho. Sou constantemente criticada porque o pai exerce a “função” (entre aspas mesmo porque é a visão preconceituosa de alguns) de mãe na minha ausência. Na minha primeira gravidez voltar ao trabalho me trouxe culpa. conclusão: Eu sou a ilusão de que, com pequenos ajustes, minha carreira continuaria nos trilhos e que eu lidaria facilmente com a maternidade, assim como lido com tantos problemas na vida. Ledo engano!

Nós duas somos duas mães com visões deturpadas da maternidade…ao menos no primeiro filho. 

Levei alguns anos para perceber que eu só seria uma “boa mãe” se eu tivesse a minha própria visão do que é ser uma Boa Mãe ( e essa sem aspas). Trabalhei isso na minha cabeça e hoje depois da segunda gravidez, posso dizer que aprendi a lidar com as minhas decisões. Eu sei que eu não seria uma boa mãe se eu fosse mãe 24h por dia. Então, hoje, eu não sinto culpa pelo meu trabalho. Não me sinto a pior mãe do mundo porque gosto do meu trabalho. Não me sinto a pior mãe do mundo porque gosto de viajar a trabalho ( e posso dormir 1 ou 2 noites tranquilas, e assistir TV e ler um livro sem ninguém me chamar). Não me sinto a pior mãe do mundo porque, estando fora, posso jantar com colegas de trabalho, ter conversas que não envolvem criança ou fralda e se alguém comeu ou não comeu na hora do almoço. Não me sinto mais a pior mãe do mundo porque eu não sou um exemplo de organização e limpeza e, por isso mesmo, terceirizo essa função. E conclui: não estou dentro dos moldes da sociedade sobre o ser “boa mãe” e/ou “boa esposa”. Não aceito os rótulos impossíveis de alcançar impostos pela sociedade da família perfeita no comercial de margarina.

Se você está sofrendo algum tipo de conflito sobre o ser mãe eu posso te dizer: 

– Não se sinta culpada por não se sentir plenamente satisfeita se você optou por cuidar dos seus filhos de forma integral e  percebe que não é a sua praia. Volte atrás. Retome sua carreira.

– Não se sinta culpada se você optou por voltar a trabalhar e percebeu que está infeliz porque queria (e poderia) ter ficado em casa pra cuidar dos seus filhos por algum tempo. Volte atrás. Peça demissão.

– Não se sinta culpada se o seu trabalho te dá uma sensação de plenitude e você prefere em alguns momentos estar lá a estar em casa.

– Não se sinta pressionada a tomar todas as decisões da casa. Do almoço ao presente de aniversário. Divida. Delegue. Peça ajuda.

– Não compare suas decisões com as de outras mães. Seu filho ainda toma mamadeira? usa fralda pra dormir? famílias diferentes. Crianças diferentes. Situações diferentes.

– Não se sinta culpada se você não é ótima organizadora de festas ou ótima cozinheira ou se não sabe costurar. Algumas coisas precisam apenas serem feitas. Não precisam ser PERFEITAMENTE feitas.

– Não Julgue outras mães. Não se importe com o julgamento delas.

– Não se sinta culpada por tirar um tempo pra voce. nem que seja so fazer as unhas.

– Você é mãe. Não deixou de ser outras coisas. Se sua mente não mudou (às vezes muda mesmo…as prioridades mudam), recupere sua meta de vida aos poucos. Invista tempo nelas mesmo que você só possa dar pequenos passos pra alcançá-las. Não desista de você. Você vai se cobrar no futuro.

Mães sem culpa.

Pra quem quiser ler o livro (mas é água com açúcar mesmo) aí vai:

EU ERA UMA ÓTIMA MÃE ATÉ TER FILHOS

Autores: Trisga Ashworth e Amy Nobile

Ed. Sextante