Lar doce lar

” Se bom ou horrível vai ser, só você pode resolver”

love

 

 

A frase acima é de um conto que eu adoro chamado As Páginas Novas de Laura E. Richards (disponível aqui se vc quiser ler). Quando criança nós sonhamos com  a nossa família, em quantos filhos teríamos, com que idade casaríamos. Sonhamos com a vida adulta que, sabemos muito bem, na realidade é muito diferente. Com os almoços de domingos, com os cafés-da-manhã de comercial de margarina, com as viagens de férias. Sonhamos…

Pois bem. Crescemos. Casamos. Tivemos filhos. E com o passar do tempo percebemos que reproduzimos muito do nosso lar infantil, não o do nosso imaginário e sim o lar que realmente convivemos e aprendemos. Se perguntarmos aos assistentes sociais o que é um lar ( e eu fiz isso com alguns deles) obteremos como primeira causa, a cláusula pétrea, a expressão de que lar é um lugar onde há abrigo, alimento e proteção. E amor???? pergunto eu. Amor??? Respondem-me eles.  Diante da desilusão diária de acompanhamento família para ser um lar nem é preciso amor. Basta o básico. Não ter agressão, ter limpeza e comida e direito à educação formal. Pronto. Essa criança já pode ficar aqui. Mesmo que ninguém a afague, mesmo que ninguém a beije e diga o quanto ela é esperta, inteligente. Mesmo que ninguém lhe apresente o certo e o errado. Mesmo que ela tenha que viver a vida inteira sem esse sentimento que invade o peito de todas nós no dia de hoje e que transborda com uma naturalidade tamanha  que é o amor de uma mãe (mãe, subentendido obviamente como a pessoa que desempenha o papel real de, não como a pessoa que colocou no mundo).

Qual a razão de ser do meu lar?  Pergunta que não saiu da minha cabeça essa semana. Aristóteles afirmou que  todas as pessoas já nascem dotados de razão/bom-senso. Que essa é a peculiaridade do homem diferenciando-se dos animais. Já nascemos sabendo o bom e o mal, o justo e o injusto concordando, de certa forma,  com a ideia de Santo Agostinho de que não somos de todo maus ou bons mas temos potencialidade para o bem ou para o mal e desenvolvemos a que queremos. Jesus falando do amor de Deus por nós diz em Mateus 7: 11 ”

Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!”

Nos provérbios atribuídos ao sábio Rei Salomão temos um pouco mais do tema da razao da família quando ele diz  que devemos “ensinar a criança o caminho em que devem andar e quando elas cresçam não se desviarão dele” (provérbios 22:6).  Sim, é verdade, a família é o primeiro núcleo social de aprendizagem de uma criança. É o nosso primeiro campo de “treinamento moral”. E  com certeza, você já se pegou reproduzindo ações que você jurou que não faria. Dentro do treinamento moral estão os exemplos que damos como pais e mães, fortalecendo o hábito da virtude que nos fortalecerá quando estivermos grandes o suficiente para irmos para o mundo afora e, apesar de todas as distrações do caminho, não nos desviarmos deles.

No dia de hoje, posso dizer com clareza e consciência de uma adulta, aquilo que apredi com minha mãe. Aprendi a a ajudar os membros da família sabendo que eu posso ser o apoio e posso contar com o apoio deles sempre; aprendi a ser irmã;  aprendi sobre o dever (o que deve ser feito independente da minha vontade), da responsabilidade, do auto-sacrifício, e de fazer tudo isso com muito amor e por amor. Graças a Deus, o lar em que eu fui criada não condiz com a visão hodierna de lar e sim de uma família unida por amor. Aprendi a ser obediente, por amor, não por medo. Amor tão grande, tão grande que permite que trabalhemos conscientemente  em alcançar a expectativa daqueles que nos amam. E pra uma mãe que ama, a expectativa não é de você ser rico, ter um bom emprego. A expectativa é a de que você consiga se realizar naquilo que você escolher ser, que consiga ser justo, integro e feliz. Que consiga tudo isso sem prejudicar outros seu redor.  Lealdade, coragem e perseverança  sustentam o amor familiar contra qualquer adversidade.

 

É claro que eu concordo com os assistentes sociais que eu conversei: Nenhum lar é perfeito e muitas casas não são bons lugares para estar e para crescer. Nem são porto seguro, nem tem corações amorosos. Mas todos (sim eu disse todos) os lares ensinam alguma coisa. Nem que seja o ensinar a não ser, a almejar uma família completamente diferente e é daí que eu conheço muitas mães que vem de famílias completamente desequilibradas e doentes construirem lares felizes e equilibrados. Com um resgate real de preocupação com o próximo e com o mundo.  Odisseu pergunta, na Odisséia de Homero ” Onde achará o homem doçura maior que em seu lar e seus parentes? Não nas terras distantes, mesmo que encontre uma casa de ouro”. 

ensina

Que nesse dia das mães, você lembre que é um exemplo de virtude, de moral, de respeito de como seus filhos devem encarar a vida. De responsabilidade, de amor ao próximo, de cuidado com o que importa.  lembre-se que você deve ensiná-lo para que não se desvio do caminho, do “bom caminho”, quando crescerem e trilharem suas próprias jornadas morais e quando a lembrança do lar primário vai ficar no passado. Quando eles comecem a construir seus próprios lares, ensinando suas próprias lições, alimentando seus próprios filhos com carinho e conhecimento que nós tivemos e repassamos.  E que eles possam dizer em suas famílias: Minha mãe me ensinou a ser o que eu sou.

Não deve haver melhor pagamento para os anos de dedicação que enfrentamos e enfrentaremos.

 

Da minha família para a sua: Feliz dia das mães!